Como abrir e visualizar o XML da nota fiscal no Chrome

O arquivo XML que chega por e-mail junto com a nota fiscal é o documento fiscal de verdade, e o Chrome já sabe exibi-lo. Veja como abrir o XML da nota fiscal no Chrome, como ler as partes que interessam (emitente, destinatário, produtos, totais e autorização) e como achar um dado em segundos numa nota com dezenas de itens.

Como abrir o arquivo XML da NF-e no navegador

Você não precisa de programa nenhum. Salve o XML no computador (ele costuma vir anexado ao e-mail da compra, ao lado do PDF do DANFE) e use um destes caminhos:

  • Arraste o arquivo para uma aba aberta do Chrome.
  • Pelo teclado: numa janela do Chrome, pressione Ctrl+O no Windows (⌘+O no Mac) e escolha o arquivo.
  • Pelo Windows: clique com o botão direito no arquivo, escolha Abrir com e depois Google Chrome.

O Chrome mostra uma linha no topo dizendo que o arquivo não tem informações de estilo e, logo abaixo, o conteúdo da nota em forma de árvore, com cada elemento recuado dentro do outro. Isso não é erro: o XML da nota não vem com folha de estilo, então o Chrome usa a própria visualização. O guia como abrir arquivo XML no Chrome explica essa mensagem e os outros jeitos de abrir.

O XML da NF-e costuma vir todo numa linha só, o que o torna ilegível num bloco de notas. No Chrome isso não importa, porque a árvore já aparece recuada. Se o Chrome mostrar uma mensagem de erro com linha e coluna, o arquivo foi cortado ou alterado: baixe de novo o anexo original em vez de tentar consertá-lo.

Vale lembrar a diferença: o DANFE é só uma representação impressa e simplificada. O documento com validade jurídica é o XML, assinado digitalmente pelo emitente. É ele que o contador pede e que você deve guardar.

A estrutura do XML da nota fiscal eletrônica

Uma NF-e autorizada vem num elemento raiz nfeProc, com duas partes: a nota em si (NFe) e o protocolo de autorização da Secretaria da Fazenda (protNFe). De forma resumida, com dados fictícios:

<nfeProc versao="4.00" xmlns="http://www.portalfiscal.inf.br/nfe">
  <NFe>
    <infNFe Id="NFe35261012345678000199550010000012341000012340" versao="4.00">
      <ide>…<mod>55</mod><serie>1</serie><nNF>1234</nNF><dhEmi>2026-10-20T10:15:00-03:00</dhEmi>…</ide>
      <emit><CNPJ>12345678000199</CNPJ><xNome>Loja Exemplo Ltda</xNome>…</emit>
      <dest><CPF>12345678909</CPF><xNome>Maria da Silva</xNome>…</dest>
      <det nItem="1">
        <prod><cProd>001</cProd><xProd>Cabo USB-C 1 m</xProd><NCM>85444200</NCM><CFOP>5102</CFOP>
          <qCom>2.0000</qCom><vUnCom>24.90</vUnCom><vProd>49.80</vProd>…</prod>
        <imposto>…</imposto>
      </det>
      <total><ICMSTot>…<vProd>49.80</vProd><vDesc>0.00</vDesc><vFrete>0.00</vFrete>…<vNF>49.80</vNF></ICMSTot></total>
      <transp>…</transp>
      <pag>…</pag>
    </infNFe>
    <Signature xmlns="http://www.w3.org/2000/09/xmldsig#">…</Signature>
  </NFe>
  <protNFe versao="4.00">
    <infProt><tpAmb>1</tpAmb><chNFe>35261012345678000199550010000012341000012340</chNFe>
      <dhRecbto>2026-10-20T10:15:05-03:00</dhRecbto><nProt>135260000000001</nProt>
      <cStat>100</cStat><xMotivo>Autorizado o uso da NF-e</xMotivo></infProt>
  </protNFe>
</nfeProc>

Os nomes das tags seguem o Manual de Orientação ao Contribuinte e os esquemas XML publicados no Portal da Nota Fiscal Eletrônica. Quase todas usam o mesmo padrão: x no começo indica um texto (xNome, xProd), v um valor em reais (vProd, vNF), q uma quantidade (qCom) e c um código (cProd). Os valores usam ponto como separador decimal: 49.80 são R$ 49,80.

Logo no início, ide identifica a nota: mod vale 55 para a NF-e e 65 para a NFC-e (o cupom do varejo), serie e nNF são a série e o número, e dhEmi é a data e hora de emissão. O bloco Signature é a assinatura digital do emitente, no padrão XML Signature do W3C. Não há nada para ler ali.

Emitente, destinatário e produtos: emit, dest e det

emit é quem emitiu a nota, normalmente quem vendeu: CNPJ, razão social em xNome, nome fantasia em xFant, endereço em enderEmit e inscrição estadual em IE.

dest é o destinatário, quem comprou: CNPJ para empresa ou CPF para pessoa física, nome em xNome, endereço em enderDest e, às vezes, o e-mail. Confira esse bloco antes de lançar uma nota de compra na contabilidade: um CNPJ errado aqui é motivo comum de dor de cabeça.

det é cada item da nota, numerado pelo atributo nItem. Uma nota com 40 produtos tem 40 elementos det. Dentro de cada um:

  • prod traz o produto: código do vendedor (cProd), código de barras (cEAN), descrição (xProd), classificação fiscal (NCM), CFOP, unidade (uCom), quantidade (qCom), preço unitário (vUnCom) e valor total do item (vProd).
  • imposto traz os tributos do item: grupos ICMS, IPI, PIS e COFINS, cada um com sua base de cálculo, alíquota e valor.

Totais e autorização: ICMSTot, protNFe e chNFe

total/ICMSTot soma a nota inteira. Os campos que mais interessam são vProd (soma dos produtos), vDesc (descontos), vFrete (frete), vICMS e vIPI (impostos destacados) e vNF, o valor total da nota, que deve bater com o que você pagou. vTotTrib, quando presente, é a estimativa de tributos exigida pela Lei 12.741/2012, a lei da transparência dos tributos.

protNFe/infProt é a resposta da Sefaz. Três campos dizem tudo:

  • cStat com o valor 100 e xMotivo “Autorizado o uso da NF-e” mostram que a nota foi autorizada.
  • nProt é o número do protocolo de autorização, com a data e hora em dhRecbto.
  • tpAmb vale 1 em produção. Se vier 2, é uma nota de homologação, emitida em ambiente de teste, sem valor fiscal.

chNFe é a chave de acesso, os 44 dígitos impressos no DANFE. Ela reúne, nesta ordem, o código da UF, o ano e mês de emissão, o CNPJ do emitente, o modelo, a série, o número, o tipo de emissão, um código numérico e um dígito verificador. A mesma chave aparece no atributo Id de infNFe, precedida de “NFe”.

O protocolo mostra que a nota foi autorizada quando foi emitida, não que continua válida hoje. Um cancelamento posterior vem em outro XML, de evento (procEventoNFe, com tpEvento 110111), e a carta de correção tem o código 110110. Para confirmar a situação atual, consulte a chave de acesso no Portal da Nota Fiscal Eletrônica, em Consultar NF-e.

Para conferir se o arquivo está íntegro, cole-o no XML Validator (em inglês): ele mostra a linha e a coluna do primeiro erro. Se o XML veio todo numa linha só, o XML Formatter o recua para facilitar a leitura.

Achar um dado rápido com uma extensão de XML

A árvore do Chrome serve para uma olhada. Numa nota com dezenas de itens, procurar um produto ou um valor rolando a página cansa, e a busca do navegador (Ctrl+F) não deixa esconder os blocos que não interessam.

O XMLNest, visualizador de XML, disponível na Chrome Web Store, mostra a nota numa árvore em que você recolhe os blocos que não interessam (Signature, transp, pag) e busca nos nomes e nos valores: digite chNFe, um CNPJ ou parte de uma descrição de produto. Você pode copiar um valor ou o caminho de um elemento, e uma visualização do código-fonte mostra o arquivo com números de linha.

Para arquivos do computador, permita os arquivos locais no XMLNest e ative a opção “Permitir acesso a URLs de arquivo” da extensão, na página chrome://extensions. Nada do que você abre é enviado a lugar nenhum, o que importa numa nota que traz CPF, endereço e valores. É uma diferença em relação aos visualizadores on-line, que pedem que você envie o arquivo.

Se precisar editar ou comparar o XML num editor de código, formate o XML no VS Code ou no Notepad++ antes: a nota em uma linha só vira um arquivo com um elemento por linha. Mas não altere o XML que você vai guardar ou mandar ao contador: qualquer mudança invalida a assinatura digital.

Fontes

  1. Portal da Nota Fiscal Eletrônica: Manuais (Manual de Orientação ao Contribuinte, versão 7.0, NF-e e NFC-e) (consultada em 20 de outubro de 2026)
  2. Portal da Nota Fiscal Eletrônica: Esquemas XML (consultada em 20 de outubro de 2026)
  3. Portal da Nota Fiscal Eletrônica: Consultar NF-e (consultada em 20 de outubro de 2026)
  4. W3C: XML Signature Syntax and Processing Version 1.1 (consultada em 20 de outubro de 2026)
  5. Atalhos do teclado do Chrome - Computador - Ajuda do Google Chrome (consultada em 20 de outubro de 2026)
  6. Chrome for Developers: API browser.extension, a configuração “Allow access to File URLs” (consultada em 20 de outubro de 2026)